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José Wilker

José Wilker

José Wilker de Almeida era um ator brasileiro.  Conseguiu seu primeiro emprego como figurante no teleteatro da TV Rádio Clube, do Recife. Tudo ao vivo. A primeira aparição foi como cobrador de jornal na peça Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams.

A vida como ator profissional começou no Movimento Popular de Cultura (MPC) do Partido Comunista. No MPC, estudou teatro, dirigiu vários espetáculos pelo sertão e realizou documentários sobre cultura popular.

Iniciava filmagens com o cineasta Eduardo Coutinho quando, em 1964, o trabalho do MPC foi interrompido pelos militares. Em 1967, junto com Luiz Mendonça, Isabel Ribeiro, Camilla Amado e Carlos Vereza, fundou o Grupo Chegança e atuou em Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, entre outras peças.

Nos anos seguintes, passou pelo Teatro Jovem e pelo Grupo Opinião, até chegar, em 1968, no Teatro Ipanema, de Ivan de Albuquerque e Rubens Corrêa, no qual participou das peças O Assalto, de José Vicente, O Arquiteto e o Imperador da Assíria", de Fernando Arrabal, pelo qual recebeu o Prêmio Molière de melhor ator, e Hoje É Dia de Rock, também de José Vicente.

Em 1971, esteve no elenco da montagem brasileira de A Mãe, com direção de francês Claude Régy, na Companhia de Tereza Raquel. Voltou ao Teatro Ipanema, no ano seguinte, como ator e autor de A China é Azul. Em seguida fez Ensaio Selvagem, outro texto de José Vicente, em 1974. Em 1976, ganhou os prêmios Molière e Governador do Estado de melhor ator por seu desempenho em Os Filhos de Kennedy, de Robert Patrick, com direção de Sérgio Britto.

Depois de uma pausa de nove anos, em que dedica-se ao cinema e à televisão, assumiu, no início dos anos 80, a direção da Escola de Teatro Martins Pena. Mas só voltou aos palcos, em 1985, na montagem de Assim É...(Se lhe Parece), de Luigi Pirandello, sob a direção de Paulo Betti, ganhando seu terceiro Prêmio Molière de melhor ator.

Passou então a atuar como diretor de teatro nas montagens de Sábado, Domingo e Segunda, de Eduardo De Filippo, em 1986; Perversidade Sexual em Chicago, de David Mamet, em 1989; A Morte e a Donzela, de Ariel Dorfman, em 1993; e Querida Mamãe, de Maria Adelaide Amaral, em 1994. Recentemente, em 2009, esteve encabeçando o elenco de A Cabra ou Quem é Sylvia?, de Edward Albee, com direção de Jô Soares.

Na TV, Wilker foi convidado pelo escritor Dias Gomes para o elenco da novela Bandeira 2 (1971). Em 1972, fez O Bofe, de Bráulio Pedroso. No ano seguinte, entretanto, estava de volta em Cavalo de Aço (1973), de Walther Negrão. O primeiro protagonista veio em 1975: Mundinho Falcão em Gabriela, adaptação de Walter George Durst do romance de Jorge Amado, um marco na história da teledramaturgia brasileira.

Wilker tem em seu currículo uma série de personagens carismáticos, até hoje lembrados pelo público, como o jovem Rodrigo, protagonista da novela Anjo Mau (1976), de Cassiano Gabus Mendes. Em 1985, viveu Roque Santeiro, personagem central da trama homônima escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva – talvez a novela de maior sucesso da televisão brasileira. Proibida pela Censura Federal em 1975, Roque Santeiro marcaria época dez anos depois, com Wilker no papel principal, ao lado de Lima Duarte, como Sinhozinho Malta, e Regina Duarte, a Viúva Porcina.

Em 2004, interpretou o divertido Giovanni Improtta, de Senhora do Destino, de Aguinaldo Silva. O ex-bicheiro lançou diversos bordões como “felomenal” e “o tempo ruge e a Sapucaí é grande”, e chegou ao cinema em filme que marcou sua estreia como diretor cinematográfico.

Destaque, também, para o seu trabalho nas minisséries Anos Rebeldes (1992), de Gilberto Braga; Agosto (1993), adaptada da obra de Rubem Fonseca; e A Muralha (2000), escrita por Maria Adelaide Amaral e João Emanuel Carneiro. Já em 2006, ele estava no ar como o presidente da República Juscelino Kubitschek na minissérie JK, de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira. Em seguida, viveu um dos papéis principais da minissérie Amazônia, de Galvez a Chico Mendes (2007), de Gloria Perez. Na trama, o ator interpretou o espanhol Luiz Galvez.

Na TV Globo, dirigiu o humorístico Sai de Baixo (1996) e as novelas Louco Amor (1983), de Gilberto Braga, e Transas e Caretas (1984), de Lauro César Muniz. Durante uma rápida passagem pela extinta TV Manchete, acumulou direção e atuação em duas novelas: Carmem (1987), de Gloria Perez, e Corpo Santo (1987), de José Louzeiro.

Participou de filmes importantes como Xica da Silva (1976) e Bye Bye, Brasil (1979), ambos de Cacá Diegues. Encarnou personagens fortes, como Tenório Cavalcanti, em O Homem da Capa Preta (1986), e Antônio Conselheiro, em Guerra de Canudos (1997), os dois de Sérgio Rezende. Wilker, que coleciona mais de 7 mil títulos em sua casa, traduz e apresenta a cerimônia do Oscar todos os anos. 

Wilker foi casado algumas vezes. Primeiro se casou em 1976, com a atriz Renée de Vielmond, com quem tem uma filha, Mariana, que é psicóloga. O casamento durou até 1984. Um ano depois, já se casava com outra atriz, Mônica Torres, mãe de sua outra filha, Isabel, nascida no mesmo ano de casamento, que hoje é apresentadora de TV. Ficaram casados até 1996. Depois de quatro anos, José Wilker voltou a se casar com uma atriz, dessa vez foi Guilhermina Guinle. A separação aconteceu em 2007.

Em 2012, Wilker esteve em Gabriela, adaptação do romance Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado, que foi ao ar pela primeira vez na Globo em 1975. Na primeira versão, Wilker foi o personagem Mundinho Falcão, agora vivido por Mateus Solano.  Na nova versão, Wilker fez desta  coronel Jesuíno Mendonça, um homem bem mais velho que a mulher Sinhazinha Mendonça, que é muito bruto, inclusive no trato com a esposa.

José Wilker faleceu no dia 05 de abril de 2014 devido a um infarto. 

20/08/1947 (67 anos)

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